O representante da Federação Mundial de Educação Médica (WFME), Luís Gomes Sambo, defendeu, nesta sexta-feira, em Luanda, a necessidade dos programas de formação médica em Angola estarem alinhados à legislação nacional e aos padrões internacionais.
O responsável falava no painel sobre “Padrões da Federação Mundial de Educação Médica”, inserido no primeiro Congresso Científico da Clínica Sagrada Esperança, que decorreu de 10 a 11 do corrente mês, sob o lema “Rede Clínica Sagrada Esperança, Qualidade e Inovação”.
O médico, especialista em Saúde Pública, disse que o currículo da formação de especialistas deve estar claramente relacionado com as cadeiras médicas do país e adaptado às exigências regulatórias internacionais.
Nesta senda, o dirigente, que também já foi ministro da Saúde, defendeu a importância de uma estrutura curricular própria e coerente com o contexto angolano.
Segundo Luís Gomes Sambo, instituições como o Instituto Nacional de Avaliação, Acreditação e Reconhecimento de Estudos do Ensino Superior (INAAREES) e o Instituto de Especialidades da Saúde desempenham um papel fundamental na regulação e avaliação da formação pós-graduada no país.
O também antigo director regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, enfatizou a importância da aprendizagem auto-dirigida, acrescentando que a formação dos internos não deve depender apenas de docentes e supervisores, mas, também, da iniciativa individual de cada profissional em formação.
Na opinião do representante da WFME, o médico interno de especialidade deve assumir um papel activo na construção do seu conhecimento e competências”, realçou.
Em relação ao conteúdo da pós-graduação, o responsável realçou que este deve variar conforme a especialidade, mas sempre baseado nos conhecimentos adquiridos durante a licenciatura.
O antigo ministro da Saúde apontou como essenciais áreas como fundamentos científicos, prática clínica, saúde pública, sistemas de saúde, ética, sociologia e psicologia. Luís Gomes Sambo defendeu também a necessidade de impulsionar a formação em saúde pública em África, pelo facto de haver uma tendência excessiva para áreas clínicas.
No domínio institucional, referiu a importância da governação partilhada entre entidades como o INAAREES, o Instituto de Especialidades da Saúde e a Ordem dos Médicos de Angola, com vista a assegurar a qualidade da formação.
Ressaltou que não basta formar médicos; é preciso garantir que essa formação seja rigorosa o suficiente para que os profissionais possam actuar ou se especializar em qualquer lugar do mundo.
O evento contou com a participação dos secretários de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, e do Petróleo e Gás, José Barroso, directores e gestores de unidades hospitalares, entre outras individualidades ligadas ao sector da Saúde