O presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, considerou nesta quinta-feira, em Durban, África do Sul, que a Região dos Grandes Lagos é um espaço estratégico para a estabilidade de toda a África Central.
Ao intervir na reunião da Comissão Executiva do Fórum Parlamentar da SADC (FP-SADC), na qualidade de presidente em exercício do órgão, Adão de Almeida apresentou o relatório sobre a evolução da segurança na região, destacando a “realidade muito complexa e volátil”, marcada por conflitos persistentes, tensões políticas e crises humanitárias, face à qual defendeu “vigilância contínua” e uma acção diplomática regional “determinante”.
O líder do FP da SADC referiu-se, igualmente, à situação da República Centro-Africana (RCA), RDC, Sudão do Sul e Sudão, enfatizando que nos últimos anos foram constatados progressos encorajadores na RCA, facilitados em grande parte pela missão multidimensional integrada das Nações Unidas para a estabilização, conhecida por MINUSCA, que criou condições políticas institucionais e de segurança propícias à reconciliação nacional e à paz duradoura.
“Todavia, os avanços alcançados até ao momento, ainda, são frágeis e exigem vigilância contínua e, por isso, permanecemos seriamente preocupados com a insegurança persistente, com os ataques de grupos armados e com o impacto dos conflitos regionais que se intensificam nas fronteiras, dificultando, deste modo, o trabalho do pessoal da MINUSCA e de organizações humanitárias”, observou.
No que diz respeito à RDC, acrescentou, a região Leste deste país permanece como o epicentro da instabilidade, marcada pela actuação de diversos grupos armados, pelo deslocamento massivo de populações e pelo agravamento de uma crise humanitária que afecta milhões de civis.
“Esta instabilidade não constitui apenas uma preocupação para a República Democrática do Congo, mas representa um risco transfronteiriço para toda a Região dos Grandes Lagos”, alertou.
Face a esse contexto, Adão de Almeida confessou que a diplomacia encetada pela CIRGL tem desempenhado um papel determinante na promoção do diálogo e da facilitação da cooperação entre os Estados-membros.
A implementação do Acordo de Paz, de segurança e cooperação, acentuou, continua a ser a principal referência e, no seu âmbito, foram reforçados os mecanismos de prevenção de conflitos, de monitorização das fronteiras e de coordenação entre os governos e organizações regionais e parceiros internacionais.