Os esforços empreendidos durante a luta de libertação nacional, bem como os ganhos alcançados com a independência de Angola, devem ser preservados a todo o custo pela sociedade angolana. Afirmação foi feita pelo Director Nacional de Preservação do Legado Histórico e Militar do Ministério da Defesa Nacional, Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria, Francisco Hebo Zangui Longa.
O pronunciamento aconteceu durante a 46.ª Sessão Temática do programa “Comunicar por Angola”, subordinada ao tema Abordagem em Alusão ao 4 de Fevereiro de 1961, uma iniciativa do Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social (MINTTICS), realizada no Centro de Imprensa Aníbal de Melo (CIAM).
Na ocasião, Francisco Zangui Longa sublinhou que Angola pertence a todos os angolanos e que a celebração do 4 de Fevereiro representa, acima de tudo, um exercício de memória histórica, a reafirmação dos valores da Pátria e uma oportunidade para projectar, à luz do passado, os desafios do presente e do futuro.
Segundo o responsável, a data vai muito além de uma simples efeméride, constituindo-se como um património moral e político da nação, símbolo da coragem colectiva, do sacrifício supremo e da determinação de um povo que decidiu assumir o controlo do seu próprio destino.
Durante a sua abordagem, o prelector explicou os antecedentes históricos da luta de libertação nacional, destacando três datas de particular relevância nesse processo: 4 de Janeiro, 4 de Fevereiro e 15 de Março de 1961, consideradas marcos decisivos da resistência anticolonial.
Francisco Zangui Longa fez ainda uma incursão pelos principais factores que antecederam a revolta, citando os maus-tratos a que os angolanos foram submetidos durante o regime colonial, com destaque para a exploração algodoeira. Desde 1926, a Companhia Geral dos Algodões de Angola (COTONANG) obrigava camponeses da região da Baixa de Cassanje, na província de Malanje, ao cultivo forçado do algodão, pagando preços irrisórios e promovendo a expropriação de terras.
Além disso, os angolanos eram submetidos ao trabalho forçado e à cobrança do imposto de palhota, práticas que geraram profunda insatisfação social e contribuíram para o agravamento das tensões entre a população e o regime colonial.
Em resposta às revoltas, o regime colonial português reagiu de forma brutal e desproporcional, recorrendo a bombardeamentos aéreos e à repressão militar contra populações indefesas, provocando milhares de mortos. Para o orador, este massacre revelou de forma inequívoca a natureza violenta do colonialismo português e evidenciou a impossibilidade de reformas pacíficas no quadro colonial.
A 46.ª Sessão Temática contou com a presença de estudantes da Universidade Agostinho Neto, convidados e colaboradores, que acompanharam atentamente o debate em torno do legado histórico do 4 de Fevereiro.