A ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, recebeu, nesta segunda-feira, em Luanda, uma delegação internacional de médicos especialistas em Radiologia de Intervenção.
A delegação integrou o director do Programa de Radiologia de Intervenção da Universidade de Yale, Fabian Laage Gaupp, médico residente do MD Anderson Cancer Center, o chefe de Radiologia de Intervenção do Hospital Nacional Muhimbili da Tanzânia,Erick Mbuguje, o anestesiologista da Universidade George Washington, Marius Fassbinder, e o radiologista de intervenção da Universidade de Wits, em Joanesburgo, Charles Sanyika.
Em declarações durante o encontro, a ministra da Saúde explicou que a radiologia de intervenção é uma especialidade que, para além do diagnóstico, permite tratar diversas patologias de forma minimamente invasiva, através de técnicas guiadas por imagem, reduzindo riscos cirúrgicos, tempo de internamento e custos para o sistema de saúde.
A governante destacou a importância desta área no tratamento de doenças oncológicas, sublinhando que, em muitos casos, tumores inoperáveis podem ter a sua progressão controlada por meio da embolização arterial, procedimento que consiste no bloqueio selectivo dos vasos sanguíneos que alimentam o tumor, contribuindo para a redução do seu tamanho e agressividade.
Referiu igualmente a aplicação da radiologia de intervenção no controlo de hemorragias pós-parto, permitindo estancar o sangramento, preservar o útero e evitar histerectomias, protegendo assim a saúde reprodutiva da mulher.
Destacou ainda o tratamento de miomas uterinos, bastante frequentes na população de raça negra, salientando que a embolização arterial constitui uma alternativa segura à cirurgia em casos criteriosamente seleccionados.
No domínio da saúde infantil, a ministra sublinhou o tratamento do retinoblastoma, um tumor ocular comum em crianças, explicando que o diagnóstico precoce, aliado à embolização tumoral, pode permitir a preservação da visão e, em muitos casos, do próprio globo ocular.
Foram também abordadas aplicações na neurorradiologia, nomeadamente no tratamento de aneurismas cerebrais e fístulas arteriovenosas, patologias que anteriormente exigiam cirurgia aberta, mas que actualmente podem ser tratadas por via endovascular, com menor risco e melhores resultados clínicos.