A agricultura em África deve ser tratada como segurança estratégica continental, para além de uma prioridade social, defendeu, nesta quarta-feira, em Nairobi, Quénia, o ministro de Estado para a Coordenação Económica.
José de Lima Massano fez este pronunciamento durante a sua intervenção na mesa-redonda sobre agricultura sustentável, em Nairobi, à margem do Fórum África-França, decorrido entre segunda-feira e ontem na capital queniana.
Para o governante, a segurança alimentar em África ultrapassou a esfera social para se afirmar como um “imperativo estratégico” de soberania económica, estabilidade e resiliência do continente.
Ao partilhar os resultados da política de segurança alimentar em curso no país, José de Lima Massano afirmou que “a produção em Angola ultrapassou 30,4 milhões de toneladas, na campanha agrícola 2025/26, registando um aumento de 8,5% face ao período anterior, com destaque para o milho, trigo, mandioca, batata-doce, hortícolas, frutas e café comercial.
O sector Agropecuário, realçou, duplicou o seu peso na economia nos últimos dez anos, passando de 13,66% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2015, para 25,43% em 2025, acrescentando que este valor coloca a agricultura como o maior contribuinte para a estrutura produtiva do país, ultrapassando o tradicional sector Petrolífero.
José de Lima Massano ressaltou que estes resultados vão ser reforçados com a entrada em funcionamento, prevista para 2027, da primeira fábrica de amoníaco e ureia para a produção local de fertilizantes.
O ministro de Estado para a Coordenação Económica reconheceu que, apesar dos progressos, persistem desafios, apontando a crise no Médio Oriente como um exemplo claro de como os choques geopolíticos internacionais afectam directamente os sistemas alimentares africanos, provocando aumentos nos preços dos combustíveis, fertilizantes, seguros e transporte marítimo de mercadorias.