Fin Adviser

Todas Notícias > SEGUNDO EXAME DE ADN CONFIRMA FILIAÇÃO DA CRIANÇA QUE DESPERTOU ATENÇÃO DE ANGOLANOS

SEGUNDO EXAME DE ADN CONFIRMA FILIAÇÃO DA CRIANÇA QUE DESPERTOU ATENÇÃO DE ANGOLANOS

  08 Sep 2026

SEGUNDO EXAME DE ADN CONFIRMA FILIAÇÃO DA CRIANÇA QUE DESPERTOU ATENÇÃO DE ANGOLANOS

O segundo exame de identificação genética realizado pelo Laboratório Central de Criminalística, em Luanda, confirmou a filiação biológica da criança que, nos últimos meses, mobilizou as redes sociais e despertou a atenção de milhares de angolanos.

De acordo com uma nota do Ministério da Saúde, os resultados foram apresentados  na sexta-feira, 4 de Setembro, durante um encontro que reuniu os progenitores da criança e representantes das instituições envolvidas no acompanhamento do caso, abrindo uma nova etapa no processo de protecção e encaminhamento da menor.

Nascida a 15 de Dezembro de 2025, no Hospital Geral de Luanda, e diagnosticada com síndrome de Down, a criança passou posteriormente a ser acompanhada pelo Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes, no município do Camama, por orientação da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

A medida teve como objectivo assegurar a continuidade dos cuidados de saúde e garantir à criança alimentação, higiene, acompanhamento clínico e condições adequadas de protecção e desenvolvimento, enquanto o caso era encaminhado pelas entidades competentes.

Segundo informações prestadas durante o encontro, perante a ausência inicial de acompanhamento parental efectivo, o Ministério da Saúde orientou o acolhimento da criança numa unidade hospitalar, onde passou a receber assistência contínua das equipas médicas, de enfermagem e de apoio.

Durante os meses em que o caso ganhou grande repercussão nas redes sociais, o Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes manteve o acompanhamento da criança, que, actualmente, se encontra saudável e já dá os primeiros passos.

A controvérsia em torno do caso surgiu na sequência de dúvidas sobre a identidade e a filiação da criança.

Um primeiro exame de identificação genética, realizado em Espanha, havia indicado uma probabilidade de filiação de 99,99999 por cento. No entanto, o resultado foi contestado pela família, o que levou à realização de um segundo exame pelo Laboratório Central de Criminalística, em Luanda.

O novo exame confirmou os resultados anteriormente obtidos, estabelecendo a filiação biológica da criança e afastando a hipótese de troca de bebés levantada no âmbito do caso.

A confirmação científica encerra, assim, uma das principais questões que marcaram o processo, que envolveu instituições das áreas da Saúde, investigação criminal, acção social e protecção da criança.

Nova etapa

O encontro contou com a presença do secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, do inspector-geral da Saúde, Miguel de Oliveira, da directora do Gabinete de Ética e Humanização, Djamila Príncipe; e da directora do Hospital Materno-Infantil Dr. Azancot de Menezes, Manuela Mendes.

Participaram igualmente representantes do Instituto Nacional de Apoio à Criança (INAC), do Serviço de Investigação Criminal (SIC), do Gabinete Jurídico do Ministério da Saúde, do Laboratório Central de Criminalística e outros técnicos envolvidos no processo.

A intervenção conjunta das instituições permitiu acompanhar o caso nas suas diferentes dimensões, contribuir para o esclarecimento da filiação e criar condições para o devido encaminhamento da criança.

Do ponto de vista clínico, foi esclarecido que a menor se encontra actualmente saudável e não apresenta indicação médica que justifique a sua permanência prolongada numa unidade hospitalar.

Concluída a intervenção clínica do sector da Saúde, inicia-se agora uma nova fase, que deverá ser acompanhada pelas entidades competentes em matéria de protecção da criança e responsabilidades parentais.

Caberá a essas instituições avaliar e adoptar as medidas necessárias, tendo como referência o superior interesse da criança, a sua segurança, dignidade e direito a um ambiente adequado ao desenvolvimento.

Hospital assegura acompanhamento

Desde a sua entrada em funcionamento, a 1 de Junho de 2022, o Hospital Materno-Infantil Dr. Manuel Pedro Azancot de Menezes tem vindo a reforçar a sua intervenção nas áreas assistencial, formativa e de humanização dos cuidados.

A unidade atende diariamente cerca de 500 pacientes, entre grávidas, não grávidas e crianças, e realiza, em média, entre 80 e 100 partos por dia.

O hospital funciona igualmente como unidade de ensino e formação, estando prevista, para Dezembro deste ano, a formação dos primeiros especialistas em áreas como Ginecologia, Neonatologia e Cuidados Intensivos Pediátricos e de Adultos.

Na área pediátrica, a unidade dispõe de serviços de Cirurgia Pediátrica e acompanha casos de elevada complexidade, incluindo patologias cardíacas.

O hospital tem também acolhido crianças em situação de vulnerabilidade social, nomeadamente recém-nascidos deixados sem acompanhamento parental identificado ou encontrados em circunstâncias de abandono, assegurando os cuidados necessários enquanto os respectivos processos são encaminhados às entidades competentes, incluindo a área da Acção Social.

O caso agora esclarecido demonstra a importância de uma resposta integrada perante situações que envolvem crianças em condição de vulnerabilidade, conjugando assistência médica, protecção, acompanhamento social e salvaguarda dos seus direitos.

Durante meses, enquanto a história circulava nas redes sociais e gerava diferentes versões e manifestações de solidariedade, uma equipa hospitalar manteve o acompanhamento diário da criança.

Com a confirmação da filiação pelos dois exames de ADN, fica ultrapassada uma das principais questões do processo. Inicia-se agora uma nova etapa, na qual as instituições competentes deverão assegurar que as decisões relativas à criança tenham como prioridade o seu superior interesse, segurança, dignidade e desenvolvimento.

تشاندينهو