A agência de notação financeira Moody’s Ratings (Moody's) alterou, neste sábado , a perspectiva do Governo de Angola de estável para positiva e reafirmou os ratings de emissor de longo prazo e de dívida senior não garantida em moeda estrangeira em B3, bem como os ratings P(B3) do programa de MTN senior não garantido e os ratings de emissor de curto prazo não Prime (NP) para dívida estrangeira e doméstica.
A mudança na perspectiva para positiva reflecte o histórico emergente de Angola de maior estabilidade macroeconómica em períodos de preços do petróleo tanto altos quanto baixos.
De acordo com a agência, apesar de déficits fiscais maiores do que em 2023-2024, a melhoria na gestão macro-económica está a contribuir para a redução da dívida pública e dos custos com juros, que se espera fiquem em torno de 46% do PIB e 23% da receita, respectivamente, até o final de 2026.
“Se mantida por meio de melhorias contínuas na eficácia das políticas monetária e cambial e no apoio à actividade económica não petrolífera, a maior resiliência de Angola a choques externos e à volatilidade do sector petrolífero reduziria o risco de uma nova deterioração dos indicadores da dívida pública e fortaleceria seu perfil de crédito soberano”, lê-se no documento.
Os limites máximos da classificação de risco soberano de Angola, em moeda local (ML) e em moeda estrangeira (ME), foram elevados para Ba3 e B2, respectivamente, ante os limites anteriores de B1 e B3. A diferença de três níveis entre o limite máximo em ML e a classificação soberana reflecte o papel ainda significativo, embora decrescente, do Governo na economia, as limitações na previsibilidade das instituições e das acções governamentais, e a exposição compartilhada dos sectores público e privado aos desenvolvimentos no setor de hidrocarbonetos.
A diferença contínua de dois níveis entre os limites máximos em ML e ME reflecte as restrições à abertura da conta de capital e a exposição da economia às pressões cambiais durante períodos de estresse externo.
Fundamentos da avaliação
De acordo coma a Moody’s, Angola tem demonstrado um histórico crescente de maior estabilidade macro-económica, tanto em períodos de preços altos quanto baixos do petróleo. As condições no mercado cambial têm permanecido estáveis desde o final de 2024, sustentadas por preços do petróleo favoráveis, embora voláteis, pela estabilidade da taxa de câmbio em torno de 912 kwanzas por dólar e pelas reservas cambiais mantidas em cerca de 13 biliões de dólares.
“A liquidez em dólares no mercado interno continuou a aumentar”, observou a agência financeira, para quem as condições monetárias em Angola também melhoraram, com a inflação caindo para 8,8% em Agosto deste ano, ante 19% um ano antes.
O forte crescimento não petrolífero, que ultrapassou 5% nos últimos dois anos, contribuiu para elevar o crescimento do PIB para 8,7% em relação ao ano anterior no segundo trimestre de 2026, considera a Moody’s. Esses factores apontam para uma economia mais resiliente e menor vulnerabilidade a choques externos.
“Em conjunto com déficits fiscais crescentes, porém moderados, a melhoria na gestão macroeconómica contribuiu para a redução da dívida pública, que caiu para 46,9% do PIB em 2025, ante 53,0% em 2024, e esperamos que diminua ainda mais, para cerca de 45,6% do PIB até 2027”, concluiu.