O Ministério da Saúde reafirmou, nesta quarta-feira, em Luanda, o compromisso com o reforço da qualidade, segurança e inovação na área da hematologia e hemoterapia, destacando a formação contínua, a investigação científical como instrumentos para melhorar a resposta às doenças do sangue.
A posição foi manifestada pelo secretário de Estado para a Área Hospitalar, Leonardo Inocêncio, em representação da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, durante a abertura do II Congresso Angolano de Hematologia e Imuno-Hemoterapia (CAHI), que decorre de 30 de Setembro a 2 de Outubro, na ENAPP.
Sob o lema “Excelência em Hematologia e Hemoterapia: Segurança, Qualidade e Tecnologia”, o encontro reúne cerca de 600 profissionais de saúde, nacionais e estrangeiros, para a partilha de conhecimentos, experiências e boas práticas.
Na intervenção, Leonardo Inocêncio destacou a importância do reforço da cooperação científica entre Angola e os países do espaço lusófono, considerando o congresso e a III Conferência Internacional da Associação Lusófona de Especialistas em Doença Falciforme (ALUA) oportunidades para aproximar especialistas, estimular a investigação e encontrar respostas para desafios comuns.
“Os desafios comuns podem ser enfrentados através da partilha de conhecimentos, de experiências e de boas práticas”, afirmou.
A doença falciforme esteve entre os principais desafios abordados, por ser considerada uma área prioritária da hematologia em Angola. O secretário de Estado defendeu o reforço do diagnóstico precoce, acompanhamento regular, educação dos pacientes e das famílias e tratamento adequado das complicações, sobretudo durante a infância.
Leonardo Inocêncio sublinhou, igualmente, a necessidade de uma abordagem integrada, que combine prevenção, diagnóstico, tratamento, informação e capacitação dos profissionais de saúde.
A investigação científica foi apontada como outro instrumento fundamental para a produção de conhecimento e evidências capazes de melhorar a compreensão das doenças hematológicas e apoiar o aperfeiçoamento das políticas e práticas de saúde.
No domínio da hemoterapia, o responsável defendeu o reforço da doação voluntária de sangue e da capacidade de resposta do sistema transfusional. “Precisamos de sangue pronto à espera do doente e não do doente à espera do sangue”, afirmou, apelando ao fortalecimento de uma cadeia de transfusão capaz de garantir sangue disponível, seguro e de qualidade.
Sobre os avanços científicos e tecnológicos, Leonardo Inocêncio defendeu que a excelência na hematologia não deve ser avaliada apenas pela introdução de novas tecnologias e terapêuticas, mas também pelo impacto concreto na vida dos pacientes.
“A verdadeira dimensão deste avanço não se mede apenas com a inovação científica. Mede-se pelo impacto que possa causar na vida das pessoas e na vida dos nossos doentes”, sublinhou.
O congresso constitui um espaço de actualização científica e reflexão sobre os principais desafios da hematologia e hemoterapia, reforçando a cooperação entre profissionais e instituições nacionais e internacionais.