Angola e Brasil reforçaram ontem a cooperação no domínio da formação especializada de profissionais de saúde, com a disponibilização inicial de 735 vagas para o ciclo formativo de 2027, número que poderá ser ampliado em função da capacidade formativa das instituições brasileiras.
A nova oferta representa mais um avanço na parceria técnico-científica entre os dois países e está orientada para responder às necessidades e prioridades do Sistema Nacional de Saúde de Angola, através da qualificação de profissionais em áreas estratégicas.
O reforço da cooperação foi analisado durante uma reunião de trabalho realizada por videoconferência, que reuniu representantes da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), do Ministério da Saúde do Brasil, de instituições hospitalares e académicas brasileiras e da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde (UIP-PFRHS).
Pela parte brasileira, o encontro foi presidido pelo representante da Agência Brasileira de Cooperação, Luciano Ávila Queiroz, com a participação de Grasilea Damasceno de Araújo, em representação do Ministério da Saúde do Brasil, e de representantes de instituições hospitalares e académicas envolvidas no processo de formação.
Do lado angolano, participaram o coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Job Monteiro, o director do Instituto de Especialização em Saúde (IES), Djamel Márcio da Silva Kitumba, e outros membros da Unidade de Implementação do Projecto.As oportunidades disponibilizadas abrangem diferentes áreas da saúde, incluindo Medicina, Enfermagem, Fisioterapia, Farmácia, Nutrição, Terapia Ocupacional, Fonoaudiologia, Odontologia e Psicologia, entre outras áreas de intervenção.
A oferta contempla formação de especialistas, fellowships médicos e multiprofissionais, mestrados, doutoramentos e estágios de curta duração, permitindo combinar especialização, aperfeiçoamento técnico e produção de conhecimento.
A definição das oportunidades deverá continuar a ser orientada pelas necessidades identificadas por Angola, com particular atenção às áreas e especialidades em que o Sistema Nacional de Saúde necessita de reforçar a sua capacidade de resposta.
Neste contexto, a cooperação ultrapassa a dimensão quantitativa da formação, procurando assegurar que o investimento na qualificação dos profissionais se traduza em mais conhecimento, maior capacidade técnica e reforço das instituições de saúde em Angola.
Durante o encontro, foi igualmente analisada a possibilidade de mobilização de especialistas e docentes brasileiros para apoiar acções de formação em Angola, sobretudo em áreas em que o país necessita de ampliar a capacidade nacional de formação especializada.
A iniciativa poderá aproximar a formação das instituições angolanas, criando novas oportunidades para a transferência directa de conhecimento, partilha de experiências e desenvolvimento de competências entre profissionais dos dois países.
As partes destacaram ainda a necessidade de aperfeiçoar os mecanismos de coordenação da cooperação, desde a identificação das necessidades e disponibilização das vagas até à selecção dos candidatos e ao acompanhamento dos profissionais durante o processo formativo.