A Administração Municipal do Rangel deu início às obras de requalificação do Mercado dos Congolenses, em Luanda, após proceder, nesta quarta-feira, à retirada dos vendedores do local.
A medida, que visa melhorar as condições de segurança, higiene e organização do mercado, continua a suscitar opiniões divergentes entre os comerciantes.
Em declarações à imprensa, o administrador municipal do Rangel, Lourenço Domingos, explicou que a intervenção resulta do avançado estado de degradação das infra-estruturas, agravado por um incêndio recentemente registado, causado pela sobrecarga da rede eléctrica.
Segundo o responsável, a empreitada está inscrita no Orçamento Geral do Estado (OGE) e permitirá dotar o mercado de melhores condições para comerciantes e consumidores.
Actualmente, o mercado conta com cerca de 2.223 vendedores cadastrados. Destes, aproximadamente 850 foram transferidos para o Mercado da Chapada, enquanto os restantes serão acomodados nos mercados da Ngola e da antiga Tura durante a execução das obras.
Lourenço Domingos apelou ainda aos vendedores para evitarem a ocupação desordenada de passeios e outros espaços públicos, alertando que essa prática representa riscos para a saúde pública e compromete a mobilidade urbana.
Comerciantes divididos
Com 27 anos de actividade no Mercado dos Congolenses, a comerciante Delfina Pascoal Mol afirmou que a retirada aconteceu de forma repentina, deixando muitos vendedores sem tempo para se prepararem.
"É uma situação muito triste, porque fomos retirados muito rapidamente. Muitos colegas não estavam preparados. Mas, se é para remodelar o mercado e voltarmos a trabalhar num espaço mais organizado e bonito, então será uma boa medida", afirmou.
Sem um local para continuar a exercer a actividade, Delfina diz que a situação afecta directamente o sustento da sua família.
"Somos mães e pais dos nossos filhos. Há muitas viúvas e muitos órfãos que dependem deste mercado. Pedimos apenas que a obra seja concluída o mais rapidamente possível para voltarmos aos nossos lugares", apelou.
Também a comerciante Mónica Mac, que vende perfumes há vários anos, considera positiva a requalificação, mas lamenta não dispor de um espaço definitivo para continuar a trabalhar durante o período das obras. "Dependemos da praça para viver. Se o Governo está a pensar em melhorar o mercado, agradecemos. Mas, neste momento, continuo na rua com os meus produtos", disse.
Na mesma linha, Manuel Cafuma, técnico de reparação de equipamentos de frio e electrónica, reconheceu a necessidade urgente da intervenção, mas criticou a forma como decorreu o processo de retirada dos vendedores.
Segundo explicou, o mercado enfrenta graves problemas de infra-estruturas, como deficiências na rede eléctrica, falta de água canalizada, esgotos obstruídos e instalações sanitárias degradadas.
"A requalificação é bem-vinda, porque o mercado já não oferecia condições. O que nos decepcionou foi não termos recebido um espaço alternativo antes da retirada. Surgiram muitos boatos de que já não voltaríamos ao mercado, mas faltou uma comunicação oficial que esclarecesse a situação", referiu.
Mercado moderno até ao final do ano
O gestor da empresa Braço e Filhos, responsável pela administração do Mercado dos Congolenses, Sinatra Jacinto, garantiu que a intervenção contempla a reabilitação, requalificação e ampliação do recinto.
De acordo com o responsável, o novo mercado contará com bancadas, lojas e cozinhas renovadas, criando melhores condições de trabalho para cerca de três a quatro mil vendedores.