A embaixadora de Angola na Itália, Josefa Sacko, apresentou formalmente, nesta sexta-feira, em Roma, a sua candidatura ao cargo de diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para o mandato 2027–2031.
A apresentação, promovida pela Missão Diplomática angolana, decorreu durante um encontro oficial alusivo ao Dia da Mulher Africana, que reuniu embaixadoras, representantes de organismos multilaterais e lideranças do continente.
O evento assinalou o arranque da mobilização diplomática global em torno do nome da diplomata angolana, cuja candidatura já conta com o endosso oficial da União Africana. O sufrágio para a liderança da FAO terá lugar em Julho de 2027, na capital italiana.
Na sua alocução, Josefa Sacko — que acumula as funções de representante permanente de Angola junto da FAO, do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e do Programa Alimentar Mundial (PAM) — classificou o pleito como “a continuação natural de mais de três décadas dedicadas à agricultura, ao desenvolvimento rural, à cooperação internacional e ao serviço do continente.
Uma liderança inédita
A candidata sublinhou o facto de a FAO nunca ter sido liderada por uma mulher nos seus 81 anos de história. “Talvez tenha chegado o momento de demonstrar ao mundo que África possui a experiência, a competência e a visão estratégica necessárias para inaugurar uma nova era de governação global”, afirmou.
Sob o lema “FAO para uma Nova Era”, Josefa Sacko estruturou a sua visão programática em pilares fundamentais assentes numa maior proximidade com os Estados-membros, na transformação do conhecimento em acção e na criação de sistemas agro-alimentares sustentáveis, capazes de melhorar as condições de vida de agricultores, pescadores, pastores e comunidades rurais.
A candidata defendeu, também, maior atenção às mulheres e aos jovens como agentes de transformação, considerando que o investimento nestes grupos contribui para a segurança alimentar, educação, saúde, paz e desenvolvimento sustentável.
“Quando uma mulher africana vence, nunca vence sozinha — leva outras mulheres consigo, leva o seu país consigo e leva África consigo”, enfatizou a diplomata, assegurando uma campanha pautada pela competência e pelo diálogo inter-regional.
O encontro marcou o início de uma mobilização diplomática internacional para reforçar as redes de mulheres africanas e procurar apoio à candidatura da diplomata angolana.
Josefa Sacko garantiu que a campanha será conduzida com respeito, competência e diplomacia, com o objectivo de aproximar regiões e conquistar apoio com base na qualidade das propostas e na experiência africana.
Entre os candidatos já anunciados destacam-se Maurizio Martina, da Itália, actual vice-director-geral da FAO, Luis Planas, Ministro da Agricultura, Pescas e Alimentação de Espanha, e Phil Hogan, da Irlanda, antigo comissário europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural e para o Comércio.
Engenheira agrónoma licenciada em Ciências Agrárias pela Universidade Obafemi Awolowo (Nigéria), Josefa Sacko detém especializações em Gestão de Projectos, Comércio e Relações Internacionais.
Com um percurso de mais de duas décadas em organizações multilaterais, exerceu o cargo de secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café (2000–2013) e serviu como comissária da União Africana para a Agricultura, Desenvolvimento Rural, Economia Azul e Ambiente Sustentável (2017–2024), onde liderou agendas de grande impacto na adaptação climática e segurança alimentar do continente.
Dia da Mulher Africana
A diplomata recordou a criação da Organização Pan-Africana das Mulheres, em 1962, como um marco na luta pela participação das mulheres na vida política, económica e social de África.
Josefa Sacko realçou o contributo de mulheres africanas como Njinga Mbande, de Angola, Yaa Asantewaa, do Ghana, Wangari Maathai, do Quénia, Ellen Johnson Sirleaf, da Libéria, Graça Machel, de Moçambique, e Catherine Samba-Panza, da República Centro-Africana.
Acrescentou que o papel das mulheres se estende, também, às agricultoras, empreendedoras, cientistas e diplomatas que contribuem diariamente para o desenvolvimento dos países africanos.