A 46.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) arrancou, nesta segunda-feira , em Durban, África do Sul, com os líderes do Bloco Regional a manifestarem o seu engajamento em questões impactantes para o futuro da África Austral e do seu povo.
O evento, que aconteceu no Centro Internacional de Convenções Inkosi Albert Luthuli, no qual o Chefe de Estado, João Lourenço, esteve representado pelo ministro das Relações Exteriores, Téte António, foi inaugurado pelo Presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa
Na ocasião, o secretário-executivo da SADC, Elias Magosi, ressaltou a liderança e a visão dos Chefes de Estado e de Governo. O diplomata sublinhou que esse compromisso continua a guiar a comunidade rumo à integração regional, à paz, à estabilidade, ao desenvolvimento sustentável e à prosperidade partilhada.
Elias Magosi destacou que a cooperação continental e as parcerias com agências internacionais reflectem a determinação colectiva de elevar as aspirações dos povos da região. Segundo o responsável, essas alianças solidificam o benefício mútuo e geram valor acrescentado para toda a comunidade austral.
“Hoje, a nossa região alberga aproximadamente 382 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) combinado superior a 847 mil milhões de dólares. Estas conquistas são um testemunho do poder transformador da unidade, da parceria e da acção colectiva”, referiu.
Ao assinalar o Dia da SADC, o responsável celebrou o percurso de solidariedade, resiliência e transformação do bloco. “Esta trajectória tem sido demonstrada ao longo de décadas por meio da cooperação regional, da promoção da paz e segurança, da expansão do comércio e investimento, bem como da melhoria das infra-estruturas e da qualidade de vida das populações”, argumentou.
Informações avançadas pela Angop indicam que durante o certame os participantes foram convidados a prestar tributo aos lideres fundadores da Comunidade, cuja coragem e legado continuam a inspirar os esforços dos actuais dirigentes para a construção de uma África mais forte, pacífica, melhor integrada e próspera.
Desde a sua origem como movimento de cooperação e libertação regional, a SADC evoluiu para se tornar uma das comunidades mais dinâmicas e resilientes de África, afirmou o secretário-executivo, Elias Magosi.
O diplomata sublinhou que o bloco superou a agenda exclusivamente política para se consolidar como um motor de integração económica.
A reunião coincide com mais um aniversário da SADC, assinalados ontem, data que marca a transformação da antiga Conferência de Coordenação do Desenvolvimento da África Austral (SADCC) em SADC, em 1992.
A organização integra 16 Estados-membros, nomeasdamente Angola, Botswana, Comores, República Democrática do Congo, Eswatini, Lesotho, Madagáscar, Malawi, Maurícias, Moçambique, Namíbia, Seychelles, África do Sul, República Unida da Tanzânia, Zâmbia e Zimbabwe.
Téte António homenageia Oliver Tambo em Durban
O ministro das Relações Exteriores, Téte António, depositou ontem, em Durban, África do Sul, uma coroa de flores junto à estátua de Oliver Tambo, em homenagem ao líder histórico sul-africano e ao seu contributo para a libertação do país e promoção da justiça social.
Téte António fez-se representar no evento em nome do Presidente da República, João Lourenço, numa cerimónia que antecedeu a 46.ª Cimeira Ordinária de Chefes de Estado e de Governo da SADC, aberta ontem.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o acto contou com a presença dos Presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, do Madagascar, coronel Michael Randrianirina, e das Seychelles, Patrick Herminie, além de delegados regionais.
Para as autoridades sul-africanas, o acto constituiu um tributo aos combatentes que perderam a vida na luta contra o regime do apartheid.
Durante a solenidade, foi destacado o papel das nações da então denominada “Linha da Frente”, com realce para Angola e Moçambique, no apoio directo à libertação da África do Sul.
Oliver Reginald Tambo, que liderou o Congresso Nacional Africano (ANC) no exílio, permanece como um dos maiores símbolos dessa conquista histórica.